A vida a dois pede diálogo e criatividade

A juventude é uma fase de descoberta, experimentação e escolha. As paixões são intensas, mas o desencontro é muito comum. Afinal, o encontro verdadeiro de duas pessoas que se enxergam como realmente são e conseguem entender o sentimento uma da outra exige um grau de amadurecimento que o jovem às vezes não tem.

Para conhecer o outro, realmente é importante que nos conheçamos primeiro. Ou seja, quanto mais estivermos em contato com os nossos sentimentos, motivações, limitações, mais teremos condições de compreender o outro e, consequentemente, de fazer escolhas melhores. Sendo assim, o melhor que os pais podem fazer pelos filhos é oferecer modelos saudáveis de relacionamento e orientá-los no processo de obter autonomia.

O bebê não tem consciência da própria identidade; só aos poucos a criança vai se libertando da relação simbiótica com a mãe e começa a estabelecer vínculos, até tornar-se apta a conviver em grupo. A saúde mental de uma pessoa depende dessa capacidade de diferenciação, que é o que vai fazer com que ela consiga perceber corretamente os seus sentimentos e os sentimentos dos outros. Esse processo é o que permite relacionamentos saudáveis e satisfatórios.

Encantamentos e decepções

A característica do vínculo amoroso é a atração erotizada que provoca a sensação de encantamento e paixão. Esses sentimentos são responsáveis pela sensação de que o outro é a alma gêmea e também por alguns mitos, como a crença de que a pessoa amada é capaz de preencher todas as lacunas psíquicas e afetivas do parceiro, de que esse encantamento é eterno, de que o amor é incondicional e supera todas as dificuldades.

Obviamente, o estado de paixão tende a ser transitório e com a convivência instala-se uma visão mais realista do ser amado, que vem acompanhada de alguma decepção e frustração. A pessoa vista como perfeita se mostra como realmente é, com seus defeitos e qualidades. Muitas vezes o príncipe transforma-se em sapo…

A música destacada ao lado reflete um desencontro muito comum: o significado do relacionamento não é o mesmo para os dois. Um se sente mais carente e dependente do relacionamento do que o outro, e a insatisfação gera dúvidas e fantasias. Nessa fase, é comum até que os relacionamentos se desfaçam. Novamente, quanto mais saudáveis emocionalmente forem os envolvidos, mais terão condições de lidar com as decepções normais e estabelecer uma comunicação sincera sobre os seus sentimentos.

Diálogo e cumplicidade

Namoro é uma fase importante do relacionamento pois nos permite avaliar se temos realmente afinidade com o outro, valores compatíveis, e até se existe uma complementação harmoniosa nas diferenças. A vida a dois pode ser o cenário para uma grande aventura, que é descobrir o outro e a si mesmo, crescer juntos, construir um projeto de vida em comum. Para isso, é preciso deixar de lado o imediatismo tão comum nos nossos dias, e que leva as pessoas a pensarem em separação ao primeiro sinal de desavença.

Uma relação tem que ser construída. Quando se supera a fase do desencantamento e se cria cumplicidade, intimidade e confiança, está se estabelecendo a base de sustentação para uma relação de amor em condições mais realistas. É muito importante, portanto, que os jovens estejam preparados para enfrentar essas fases do relacionamento amoroso, para que tenham condições de lidar com os inevitáveis desapontamentos, e saber que a convivência harmoniosa é possível, porém exige diálogo, capacidade de um colocar-se no lugar do outro e muita criatividade para lidar com os obstáculos e com dificuldades inevitáveis, como a rotina, que muitas vezes leva a afastamentos e insatisfações.

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