Escolas se organizam para própria formação de forma independente

Não quero ser maledicente, mas, a ideia de Natal que a mídia tenta semear não me parece sensata. O bom Velhinho que chega em um carro pomposo, com honrarias luxuosas e se apresenta como um triunfador, nada tem a ver com a simples e humilde manjedoura de um Deus que se faz carne para ser o Emanuel, sempre conosco, e não apenas figura que aparece em fim de ano.

Está certo que tudo é muito bonito aos olhos de quem aprecia, mas longe do verdadeiro sentido do Natal, não passa de consumismo para uma grande maioria.

Um menino que veio para que “todos tenham vida e a tenham plenamente” (João 10,10), talvez não encontre espaço entre tanto luxo para nascer no coração dos homens.

O Deus que se revela em Jesus, convoca-nos para sermos novas criaturas de coração semelhante ao d’Ele! Deus enviou seu filho como prova de amor pela humanidade e mesmo assim, muitos de nós permanecemos insensíveis a este apelo amoroso.

O resultado deste “Natal,” onde o maravilhamento por Deus ter vindo à nossa procura não rompe em nós, percebe-se ao longo dos outros trezentos e sessenta e cinco (365) dias do ano “novo”. Nós, cristãos, deveríamos ser testemunhas deste amor do Pai, sinais da sua presença amorosa no mundo, manifestando na sociedade os sinais de que “Ele está no meio de nós”!

A presença deste Deus se dá nos presentes que são invisíveis aos olhos, mas essenciais na construção de uma nova sociedade: Os presentes de Deus são amor incondicional, justiça, perdão e a paz que aliás o mundo não pode nos dar. Infelizmente muitos ainda não percebem estes presentes, sufocados pela valorização do Papai Noel, muitas vezes consumindo em excesso a comida que vai pesar na balança, sem contar o esforço na academia ou os remédios na farmácia, a bebida que desonra famílias inteiras, os brinquedos que as crianças muitas vezes, além de quebrar, não lhes são atraentes, porque hoje é a tecnologia que impera nas suas fantasias.

Jesus não se apresenta como um triunfador e sim, como um manso, um pobre, humilde e por isso escandaliza àqueles que esperavam um rei vestido com finas vestes “…os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis” (MT 11, 2-11).

Esconderam o menino, porque este menino revela a face oculta da humanidade. Ele revela as famílias dos traficantes e dos usuários que sofrem do mesmo mal, as filas nos hospitais, as crianças abandonadas nos orfanatos, a violência desmedida que germina dentro dos lares, a mortificação maciça dos jovens e adolescentes pela inversão total de valores.

Lamento minhas colocações, mas creio que se conseguíssemos demover os velhos hábitos e assumíssemos o nosso lugar no mundo, deixando de lado a ilusão que não gera vida plena, a existência teria um outro sentido.

Depois do “Natal” continuaremos nossos afazeres mortais, nos enchendo de propósitos que não passam de “propósitos de final de ano?” e ainda vamos passar o resto dos dias nos lamentando por causa dos horrores que acontecem e que a mídia prioriza jogar dentro da nossa casa, vendo a vida passar de canal em canal, esperando o próximo “Natal?”…O “pano preto” da insensatez favorece a ignorância de uma sociedade que condena o traficante, exige a pena de morte, a punição severa, mas “sobe o morro” para comprar da melhor cocaína, maconha e a cada cheirada, a cada vida que se perde por causa da droga, ninguém ousa “gritar por cima dos telhados” que a união faz a força e lutar para que família, Igreja, Estado e escola juntos, construam barreiras intransponíveis à droga!

Até quando vamos suportar esta inversão total de valores não posso afirmar. Só sei que quero continuar tentando fazer a diferença, sabendo que nós, seres humanos, somos muito maiores do que nosso comportamento e que temos um único centro dentro de nós.

Um centro amoroso, compassivo, nosso self, onde mora Deus. É lá que se encontra o menino, dorme silencioso na nossa alma, esperando que lhe abramos as portas do nosso coração, o Deus menino, Deus da alegre misericórdia.

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