Relação entre avós e netos

Há quem diga que ser avô ou avó, bem como ser pai ou mãe, é uma arte. Será? Existiria, então, um roteiro para esta arte ou se aprende praticando? Prefiro dizer que ser avô/avó é ter a oportunidade de estender a proteção e o amor pela trajetória do tempo!

O escritor Içami Tiba afirma que “quem ama, educa”, tornando-se, portanto, algo natural, pela convivência e pela relação de afeto, a intervenção também dos avós no processo educativo das crianças. E, neste caso, penso conveniente ressaltar que ter mais paciência e mais tolerância não pode ser erroneamente confundido com mimar os netos, mas é, sim, ressignificar o sentido de educar, pois a maturidade traz o discernimento de onde, como e quando é importante interferir e colocar limites.

Avós educadores

Às vezes, alguns pequenos episódios envolvendo as crianças são muito valorizados por circunstâncias de stress, fenômeno comum aos mais jovens, imbuídos de muitas responsabilidades no corre-corre do cotidiano. Os avós, no entanto, geralmente estão num outro momento: um momento que lhes permite eleger prioridades, repensar o sentido da vida e até renovar o seu estilo de viver. E isso os leva a serem mais complacentes, mais suaves em suas intervenções.

E assim, amorosa e ludicamente, os avós acabam se redimindo, através dos netos, de seus pequenos enganos, talvez de alguns excessos que possam ter cometido na condução dos filhos no seu aprendizado de pais, pois errar é inevitável, faz parte do processo.

Avós modernos

Constato que ser avô/avó nesses tempos é um privilégio. Os avós de agora transitaram por um tempo passado, com outro contexto, cheio de limitações e até de verdadeiro mistério acerca de muitas coisas. Ouviram histórias de seus pais, de seus avós, criaram suas próprias fantasias, reproduziram as poucas brincadeiras que eram legadas de pais para filhos.

Hoje, existe um mundo de tecnologias, sucessivas descobertas científicas, brinquedos eletrônicos, diversificados meios de comunicação e um universo grandioso a ser sondado. E os avós encontram-se justamente aí, na fronteira entre esses dois mundos, com histórias incríveis para contar a respeito de coisas que existiram e que hoje são extintas, permitidas apenas na imaginação dos netos quando escutam seus relatos… E necessitando acompanhar a evolução dos tempos, aprendendo também com os netos a realizar coisas como o simples gesto de acionar uma tecla, um botão etc. É tempo de uma riqueza muito grande que pode ser compartilhada entre netos e avós numa convivência mais próxima, na troca de conhecimentos. Enfim, é uma experiência ímpar ser avô/avó no século 21.

Uma coisa, porém, não muda: o amor. O amor é o mesmo em qualquer tempo e é capaz de transmitir, naturalmente, muitas lições. E as crianças e jovens, ainda que neste tempo em que prevalece um perfil individualista nas relações, continuam sendo os grandes amores de seus avós. Assim, nesta metáfora existencial, mesmo que o tempo seja implacável, os netos conseguem devolver a infância, a juventude e proporcionar muitas alegrias aos avós, quando se dispõem a lhes dedicar alguma atenção.

“(…) Antes que termine o nosso recreio junto, antes que eu me torne apenas um retrato na parede, quero lhe dizer, meu neto, que vale a pena crescer, estudar, conhecer pessoas, ter namoradas, chorar algumas decepções. E, a despeito de tudo isso, ir renovando todos os dias a sua fé e a bondade essencial da criatura humana, e o seu deslumbramento diante da vida.” (Flávio Cavalcanti – Carta a meu neto).

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